domingo, 29 de novembro de 2009

Olhando de fora, a liberdade e a opressão caminham lado a lado


Estava trabalhando esses dias e mais uma vez acabei ouvindo um papo de dois jovens que me fez ainda pensar uns dois dias seguintes.
Na verdade apenas uma pergunta feita por um deles me chamou atenção, dentro de toda a conversa.
O caminho que os dois traçam hoje, não está relacionado à igreja, evangelho, essas coisas.
São como dizem, desviados.
E conforme suas questões e anseios se afloravam dentro daquela conversa perdida entre afirmações e palavras sem nexo jogadas ao léu, diziam coisas do antes e depois de suas vidas dentro da igreja. Em alguns momentos se dirigiam a mim, em outros não necessariamente, e minha reação sempre era a mesma, um singelo sorriso no rosto e a angústia de ver dois grandes amigos perdidos em si mesmo.
O que me fez ainda pensar por um bom tempo foi a pergunta: _ Mas você esta feliz como se encontra hoje ou como era melhor antes? A resposta: _ Melhor ser mal amado e com dinheiro, do que ser amado, infeliz e sem dinheiro!
Pergunta e resposta simples, mas que com todo o contexto da vida e conversa daqueles dois meninos se tornam pra mim momentos de muita reflexão.
Talvez o que pretendo colocar não seja de agrado ou de crédito de alguns, mas algumas coisas precisam ser colocadas vez por outra.
Então vamos tentar.
Liberdade.
Assim dizemos. Temos a liberdade de fazer qualquer coisa, pensar e agir segundo a nossa própria determinação, essas coisas que todo mundo diz em livros, músicas e afins, não vou me aprofundar.
E olhando como pelo menos nós, estamos sempre dizendo, temos liberdade em Deus, e assim, “Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém”.
A liberdade em Cristo nos livra das amarras deste tempo, o tempo presente, mas não nos livra de viver sobre o julgo de alguém que luta contra todo um sistema já estabelecido, e para os mais religiosos, de um esforço quase sobre natural de tentar ser um ser divino, e ou, angelical.
A liberdade em Cristo traz o pesar de estar a todo tempo lutando contra si mesmo, e talvez a “infelicidade” de não desfrutar as coisas banais e passageiras da vida deste plano presente.
A opressão por sua vez, trás o “conforto” da carne, a liberdade de dizer e fazer as coisas vãs que nos limitarão da vida no tempo futuro, na pós-vida. Trás o ligeiro gozo em meio o exercício exagerado das coisas vãs e dos indivíduos que manipulam o já dito sistema estabelecido.
Então, o que talvez me tenha feito pensar é; sobre a grande dificuldade de aceitar a vida cristã, de aceitar a liberdade em Cristo. Liberdade tal que oferece o “julgo da infelicidade”, de não viver o que a eternidade presente nos oferece com tanto vigor, pensando no futuro.
E viver a opressão é entregar a vida aos desejos infames que a eternidade futura não poderá nos oferecer. É ter o gozo do presente e ignorar o futuro pleno.
Viver liberto então é ser corajoso o bastante para ser oprimido. E assim, vice-versa.

I & S – O espelho



Todas as manhãs é assim, olho pra você, mas não o vejo.
A imagem sempre apresentada é desse velho homem cansado da vida, cansado de mim, cansado dos outros.
O que procuro quando olho no fundo dos seus olhos?
Eu mesmo.
Procuro entender, quem eu sou. De onde vim e para onde irei.
Na verdade, eu sei.
Mas esta velha caricatura não me deixa enxergar.
E luto contra isso.
Lutei minha vida inteira.
Pelo menos até aqui.

Existe outro lugar, onde a vista é melhor, onde lá tu sempre estas.
É onde me encontro, onde suspiro, onde deito, e encontro alívio.
É Lá, longe, bem longe.
Nos olhos famintos dos outros; que como eu. Buscam suas respostas.
Outros que também, nem sempre, se incomodam com as respostas.
O problema são as perguntas.
São elas que movem o mundo.

E, vez por outra, contemplo sua face em meio às lágrimas.
E com os joelhos cansados da caminhada, e com o coração apertado na angústia, é que ouço sua voz.

Mas, apesar de tudo; a imagem sempre apresentada é desse velho homem cansado da vida, cansado de mim, cansado dos outros.
O que procuro quando olho no fundo dos seus olhos?
A essência.
Teu sopro, tua vida, tua força, teu sustento.

Mas esta velha caricatura não me deixa enxergar o que de ti posso ter de melhor.

Assim na vida, na busca.
O que quero fazer, não faço.
E o que não quero isso sim eu faço.

E na luta, no esforço, no lamento. Seus braços.
No espelho, no fundo, escondido, atrás de mim.
Todas as manhãs o que eu busco?
Seus traços.

(I & S) Imagem e Semelhança.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Pombos e ratos

Eram 23: 18 do dia 23 de novembro de 2009 quando comecei a pensar.
Agora, escrevo as 00:23 do dia seguinte.
Quero pedir desculpas aos amigos, mas ando um pouco sem papa na língua e gostaria de fazer um desabafo!
A cada dia que passa tenho a certeza que não sou daqui, desde lugar, dessa terra, planeta sei lá!
Não consigo me acostumar com esse ritmo frenético de vida, onde tudo é pra ontem e tudo tem que funcionar e dar retorno.
Acabo de chegar de uma cessão de cinema, tive a coragem de assistir 2012, dublado ainda por cima (urgh), que filme ruim. Tudo bem que os efeitos são bons, mas a companhia da noite também não era lá essas coisas e a volta, triste ouvindo uma melodia no carro me fez ainda mais pensar em algumas coisas.
Estou cansado de viver de migalhas, de restos. Quero ter algo que eu possa viver intensamente.
Amigos, irmãos, andar por lugares que ainda não fui e perceber o novo dos lugares que já andei.
Às vezes fico indignado com o fato de sermos tão insignificantes em nosso modo de viver, preocupados com isso, com aquilo, com aquilo outro. Esses dias eu descobri que eu sou um apaixonado pela vida, mas na verdade, nem sei como vivê-la ao ponto de fazer realmente valer a pena.
Ainda tenho muitas coisas a resolver, pendentes até o caroço, e acabo caindo no mesmo erro, sendo insignificante como todos os outros.
Como dizia um amigo meu, “não quero ser pedante” quando digo insignificante, não leve para outro lado, mas faça uma comparação a sua volta e veja se não é verdade, somos como pequenos animais esperando alguém jogar um resto de alimento pra sairmos felizes e cantarolando.
Salário, amizade, namoro. Tudo é assim, nos contemplamos com um simples “Oi, tudo bem”, com um beijinho na boca (como diz os caras do trabalho).
Contentamos-nos com cinco minutos de conversa e status de “Disponível” do Msn...
De boa, estou cansado disso tudo.
Peço a Deus um pouco mais de paciência, amor, longanimidade e sabedoria talvez!
Aquelas coisas do livro de Gálatas...
Quero também que me ensine a viver de verdade, e não ficar apenas satisfeito com migalhas de pão e depois ser chutado como os pombos e os ratos na praça.

domingo, 22 de novembro de 2009

Eclesiastes 3

Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.
Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;
Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar;
Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;
Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar;
Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora;
Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar;
Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.
Que proveito tem o trabalhador naquilo em que trabalha?
Tenho visto o trabalho que Deus deu aos filhos dos homens, para com ele os exercitar.
Tudo fez formoso em seu tempo; também pôs o mundo no coração do homem, sem que este possa descobrir a obra que Deus fez desde o princípio até ao fim.
Já tenho entendido que não há coisa melhor para eles do que alegrar-se e fazer bem na sua vida;
E também que todo o homem coma e beba, e goze do bem de todo o seu trabalho; isto é um dom de Deus.
Eu sei que tudo quanto Deus faz durará eternamente; nada se lhe deve acrescentar, e nada se lhe deve tirar; e isto faz Deus para que haja temor diante dele.
O que é, já foi; e o que há de ser, também já foi; e Deus pede conta do que passou.
Vi mais debaixo do sol que no lugar do juízo havia impiedade, e no lugar da justiça havia iniqüidade.
Eu disse no meu coração: Deus julgará o justo e o ímpio; porque há um tempo para todo o propósito e para toda a obra.
Disse eu no meu coração, quanto a condição dos filhos dos homens, que Deus os provaria, para que assim pudessem ver que são em si mesmos como os animais.
Porque o que sucede aos filhos dos homens, isso mesmo também sucede aos animais, e lhes sucede a mesma coisa; como morre um, assim morre o outro; e todos têm o mesmo fôlego, e a vantagem dos homens sobre os animais não é nenhuma, porque todos são vaidade.
Todos vão para um lugar; todos foram feitos do pó, e todos voltarão ao pó.
Quem sabe que o fôlego do homem vai para cima, e que o fôlego dos animais vai para baixo da terra?
Assim que tenho visto que não há coisa melhor do que alegrar-se o homem nas suas obras, porque essa é a sua porção; pois quem o fará voltar para ver o que será depois dele?

A PORTAS FECHADAS

"No momento em que você acorda todas as manhãs, todos os seus desejos e esperanças para o dia correm para você como animais selvagens. E a primeira tarefa de cada manhã consiste em enxotá-los todos de volta; e ouvir aquela outra voz, observar aquele outro ponto de vista, deixando que aquela outra vida, maior, mais poderosa e mais calma venha fluindo para dentro"

C.S.Lewis

"Para chegar a Deus você precisa passar pelo homem. Para Deus chegar em você Ele também precisa passar pelo homem. Não existe contato direto com Deus, isto é, todo contato entre o humano e o divino é mediado por um outro humano. O humano é ponte entre o humano e o divino. O humano é ponte entre o divino e o humano. Toda vez que você pretender um contato imediato com Deus, deixando de lado a ponte humana, isto é, a horizontalidade que Ele mesmo providenciou, você vai cair num abismo sem fim, isto é, vai experimentar o vazio, aquele sentimento de estar falando com ninguém. É isto o que o Evangelho ensina quando afirma que “existe apenas um Mediador entre Deus e os homens: Cristo Jesus, homem”   

(1Timóteo 2.5).

“A distância que vai entre a janela e os meus olhos determina o que vejo lá fora na rua. Se fico mais perto, a visão se alarga; se fico de longe, a visão se estreita. Se vou à esquerda, enxergo a praça; se vou à direita, enxergo a torre. Sou eu que determino o que aparece lá fora na rua para servir de panorama aos meus olhos. Mas nem por isso é falso ou errado aquilo que vejo e descrevo, pois não sou eu que crio as coisas que aparecem lá fora. Já existiam antes de mim. Não dependem de mim. É útil e até necessário que cada um defina bem clara e honestamente aquilo que vê pela sua janela. Isso redundará em benefício da análise que se faz da realidade da vida. O que me consola é que todos somos assim. Bem limitados e condicionados pelos próprios olhos, dependentes uns dos outros. É trocando as experiências, numa conversa franca e humilde, que nos ajudamos a enxergar melhor as coisas que vemos, e a romper as barreiras que nos separam sem razão. Pois ninguém é dono da verdade. Intérprete só”.

Carlos Mesters


"A justiça divina existe, mas Deus quer nos ver lutando pela justiça humana - implementada no curto prazo e não apenas no longo prazo; neste mundo e não no próximo; dentro do tempo e do espaço, não na infinitude e na eternidade"